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O Povo português é essencialmente cosmopolita. Nunca um verdadeiro Português foi português: foi sempre tudo. FP

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A Educação

Ontem no cinema, a propósito de um pai jovem que levou um filho de 6-7 anos para dentro da sala ver o Assassino e o Guarda-Costas (filme com muitas cenas de violência e claramente para a idade indicada, ou seja M/16), em que o miúdo andou pela sala o filme todo e depois perguntava ao pai em voz alta cenas que não entendia (ora não), lembrei-me de uma entrevista fenomenal que li há dias com a guru da Educação brasileira, Rosely Sayão. Fui recuperar a revista que por ali andava e eis alguns excertos:

 

"O principal problema de quem educa uma criança é limitar o seu desenvolvimento com superprotecção. Estamos a criar  filhos absolutamente dependentes." (Um adolescente que todas as semanas se esquecia da camisola de futebol, ou dos cadernos e a mãe largava tudo para ir levar as coisas à escola. Hoje esse rapaz não consegue ficar em nenhum emprego porque não admite chamadas de atenção de um chefe, por exemplo. Ou seja, ao protegermos demasiado, subestimamos as capacidades da criança e o seu desenvolvimento e mais tarde elas não vão ser capazes)

 

"Pais com filhos no ensino superior e querem saber porque é que têm de acordar o filho para ir para as aulas, para que não chegue atrasado, ou leva-los à universidade porque não querem ir de transportes públicos, controlar os trabalhos e os prazos de entrega, etc. Enfim, criaram filhos absolutamente dependentes e de repente, só porque estão na universidade, querem que eles resolvam tudo sozinhos" 

 

"Quando os pais são mais companheiros e mais amigos, abstêm-se do papel de pai e mãe, por isso é que estamos a criar gerações de órfãos. O processo educativo é um embate, e quem pensa que o filho não quer autoridade, engana-se"

 

"Na primeira infância os pais preocupam-se muito com questões como a idade normal para tirar fraldas, começar a falar ou andar. Eles esperam que o filho seja absolutamente normal ou até sobredotado"

 

"Hoje os pais têm um comportamento GPS, ou seja, dizem faz isso e não aquilo, e quando o jovem se vê sozinho, perde o GPS. Os pais têm de ser uma bússola, dar o Norte, porque quem consegue localizar o Norte, consegue localizar as outras direcções e fazer as suas escolhas"

 

"Os pais querem que os filhos sejam felizes, mas a felicidade é algo que a pessoa deve procurar para si. Satisfação imediata e prazer não é felicidade. Mas para os pais, a cara de contente do filho é uma prioridade. E como dizer não gera descontentamento, os pais acham que a criança vai ficar infeliz e não suportam isso"

 

"E aqui entra o não. Os pais tentam promover uma vida para os filhos sem contrariedades , mas é a partir das contrariedades que as crianças constroem a resiliência. Os jovens são pouco resilientes às adversidades e aos próprios erros"

 

"Se os pais não impuserem tarefas domésticas aos filhos, formamos uma geração desabilitada para a vida. Eles não querem, mas é preciso aprender que há muita coisa que não queremos mas temos de fazer. Isso é ensinar o que é a vida. Costumo dizer que um jovem ganha maturidade quando aprende a pensar e a conjugar os 3 conceitos: quero, posso e devo"

 

O problema é que os pais também não largam o telemóvel. Então primeiro tem de se criar regras para os adultos. Estar em casa deve significar estar presente. As crianças têm que perceber que são importantes para os pais de facto, e não só no discurso. Quando se chega a casa, o ideal é desligar-se do telemóvel e estar em família, seja para fazer nada,   conversar, discutir, enfim, tudo o que acontece numa família"

 

"As actividades acima de tudo roubam-lhes tempo para eles estarem sem fazer nada, em off. É preciso ficar sem fazer nada para se conhecer melhor, ouvir-se, reflectir no que se gosta e no que se quer fazer. Estar com os filhos sem fazer nada, sem ficar preso aos telemóveis é o que cria vínculos e laços importantes"

 

"Deve encorajar-se as crianças a resolverem eles os seus problemas na escola, quer se sintam vítimas de um colega ou de um professor. Se necessário, orienta-las, mas é importante que sejam elas a resolver. A escola é a primeira batalha que as crianças devem aprender a enfrentar sozinhas"

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