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happyness is everywhere

O Povo português é essencialmente cosmopolita. Nunca um verdadeiro Português foi português: foi sempre tudo. FP

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O Sentido do fim - o filme

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Ontem à noite fui ver este filme.

Não tenho cá estado nas últimas semanas e fui ontem com receio de que na próxima 5ª feira o filme saísse de cartaz por estas bandas.

Trata-se de um drama adaptado do livro de Julian Barnes, autor que desconheço. O filme é bastante intenso. Não na acção, mas no pensamento. 

Mas como filme europeu que é, é também um bocado parado. Até metade do filme, não nos sentimos presos ao filme. Comentámos isso no intervalo.

Só depois se começa a vislumbrar a trama com os flashbacks e as memórias que o protagonista vai tendo.  

 

Só a parte final do filme nos deixa introvertidos, a pesar as palavras, as acções. No fundo só passados cerca de 40 anos, o protagonista é confrontado com os resultados e as consequências das acções que tomou quando estava na universidade e como essas acções determinaram o curso de vida de algumas pessoas que o rodeavam.

 

E começa a saga dele por saber ou tentar saber a verdade. E apesar de já divorciado, é na ex-mulher que encontra a confidente para todo este capítulo. Ex-mulher essa, a quem ele nunca contou nada. E remete-me para o pensamento que publiquei ontem... As coisas podem ficar esquecidas lá no passado, mas continuam lá, prontas a serem repescadas...

O fim do filme chama-nos a atenção para a forma como tocamos na vida de outras pessoas.

A quem não aconteceu já ser confrontada com alguém que lhe diz "fiquei chateada contigo porque disseste/fizeste..." e nós nem nos tínhamos apercebido? E quando essa conversa nem é tida e as pessoas pura e simplesmente se afastam por diversos factores e nem ficamos a saber que magoámos outrem? A percepção das coisas...

E o protagonista estava nesse ponto. A percepção da sua vida passada era diferente da realidade. E como ele dizia, quanto mais tarde chegarmos a esse momento, menos pessoas poderão contestar a forma como contamos o que foi a nossa vida... simplesmente porque a morte e o afastamento leva muitas delas...

 

E é este final que nos deixa pensativos... A quantos poderá acontecer isso? Será que connosco? Será que alguma coisa no nosso passado ficou mal resolvida e mal interpretada? Que nós simplesmente embelezámos e colorimos, para podermos viver com isso?