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happyness is everywhere

O Povo português é essencialmente cosmopolita. Nunca um verdadeiro Português foi português: foi sempre tudo. FP

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O Povo português é essencialmente cosmopolita. Nunca um verdadeiro Português foi português: foi sempre tudo. FP

Saudade.

Tenho saudades de muitas pessoas. Pessoas que já morreram, umas mais próximas, outras nem tanto. Mas de vez em quando penso nelas. Algumas quase todos os dias, outros mais esporadicamente. Mas continuam comigo.

 

Depois temos saudades das pessoas ainda vivas. E é aqui que as coisas se complicam.

Podemos ter saudades de pessoas que também têm saudades de nós, e que quando telefonamos, é uma festa a acontecer.

E podemos ter saudades de pessoas que não têm saudades nossas. Se é possível? Claro que é. Basta a outra pessoa estar num momento difícil, ou num momento de euforia, ou de mudança, ou não é o seu feitio, ou simplesmente não gostam tanto de nós como nós dela.

 

E quando sentimos saudades de uma pessoa que continuamos a querer na nossa vida, mas esta mudou tanto, que o que sentimos é saudade do que nós já fomos juntas. A memória do que nós éramos. Saudade da pessoa que éramos quando estávamos juntas.

 

Estou nesse momento. No momento de perder uma amiga de 25 anos. 

Uma amiga que trabalhou no estrangeiro, que se afastou tanto de nós quanto da pessoa que era. Quando voltou, foi impossível retomar a amizade. Tentamos, falamos, conversamos, mas as coisas já não são o que eram. E no entanto, podiam...

Mas ela desenvolveu outros focos de interesse e esses não coincidem com os meus. E apesar dos meus esforços para reatar, está complicado porque ela só consegue falar desses mesmos interesses. está obcecada. Como se a vida tivesse afunilado e não tivesse mais nada a que se agarrar. A depressão diagnosticada também não ajuda. Isso e o facto de ter perdido a capacidade de se relacionar física ou vocalmente. Mensagem, seja de que tipo for, publicações no facebook - é tudo!  

 

Não queria, mas tenho de aprender a desapegar-me? Será que aquela amizade consegue hibernar e voltar ao que era, ou está condenada ao fracasso? 

Bem sei que devia fazer um esforço para me aproximar das novas pessoas longínquas que fazem parte da vida dela, mas para além de mostrar interesse, não posso fazer muito mais. Só poderemos ser amigas se ambas quisermos. Quando ambas vêem a mesma importância nas coisas, quando ambas conseguem resgatar o passado. 

Gosto imenso dela, mas não sei se eu e as restantes pessoas na mesma situação que eu, conseguiremos ajuda-la a focar no presente? A deixar o passado e a péssima experiência que foram os últimos anos? Bem sei que não existem esponjas, que não basta querer apagar uma experiência, há que aprender a viver com as novas ferramentas que ganhamos, por mais traumatizantes que tenham sido.

 

E portanto hoje estou triste. Porque apesar das conversas de whatsapp dos últimos dias, a sinto cada vez mais e mais longe...

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