Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

happyness is everywhere

O Povo português é essencialmente cosmopolita. Nunca um verdadeiro Português foi português: foi sempre tudo. FP

happyness is everywhere

O Povo português é essencialmente cosmopolita. Nunca um verdadeiro Português foi português: foi sempre tudo. FP

Seguir em frente

Como vos contei ontem, houve um clic que me fez recordar um relacionamento que terminei e que ainda não ultrapassei. E ontem, como a televisão estava num canal não habitual, começou um programa, ouvi a voz dele e tudo voltou de novo. Corri até à outra mesa para agarrar o comando e mudar de canal e fiquei a analisar o estado em que estava.

 

E recuei 3 anos. Forcei-me a recuar e a pôr palavras nos meus sentimentos actuais.

Explicando o que se passou, namorámos 3 anos, umas vezes à distância outras nem tanto. Sempre disse que depois do meu marido ter morrido, não pretendia voltar a casar, viver junto, fosse o que fosse. Cada qual na sua casa era o ideal. E funcionava. Para ele e para mim.

A primeira vez que desconfiei que me traía, foi quando encontrei um objecto pessoal feminino na sua casa. Não se deu por achado e disse que deveria ser da empregada de limpeza.Por vezes queremos tanto acreditar que acreditamos.

Mas eu sempre fui mais cerebral. E apesar da nossa relação seguir, aquele instante começou a cravar dúvidas no meu in/consciente e fui-me afastando. Até que um dia percebi que havia efectivamente outra pessoa. Outra pessoa que eu pensei estar fora. Sobre quem inclusivamente faláramos 3 ou 4 meses antes e que ele não me disse afinal já ter voltado a Portugal... Eu só precisava de deixar de ignorar os sinais e de negligenciar o meu instinto. Confrontei-o e ainda que tenha tentado negar inicialmente, por fim confessou. Saí imediatamente do relacionamento, da vida dele e da casa dele.

E recordei tudo o que me haviam dito sobre ele. que era muito mulherengo, que todos os relacionamentos que tinha tido, haviam terminado devido a casos pontuais. 

 

Mas nós somos sempre aquela que vai fazer a outra pessoa assentar, não somos?

 

Só que um serrial-traidor tem a sua própria conduta. Precisa disso para prosseguir. Ele não precisa mudar, nem quer.

Hoje consigo ver que ele precisava alimentar o ego dele diariamente e eu sozinha não bastava.

Hoje consigo ver que esse comportamento é também de quem se sente ameaçado, de quem se sente inseguro. De quem nunca conseguirá ser feliz (a pessoa por quem ele me deixou esteve na vida dele 2 anos e pelos mesmos motivos, acabou por abandona-lo e hoje francamente, não sei como ele está...).

large.jpg

Mas isto não é sobre ele. É sobre mim.

Sobre a forma como me senti traída. Porque traição não é apenas o envolver físico com outra pessoa. Traição é desvalorizar a lealdade que deve ao parceiro, é quebrar a confiança. A sensação de revolta, frustração e decepção é um misto de sentimentos que nos impregna e não permite seguir com a vida. Ficamos submersos por sentimentos, ilusões que se misturam, se confundem - medo, incertezas e confiança perdida. Quem já foi traído sabe.  

Quem já foi traído, seguiu um dos dois caminhos: ou fugiu numa tentativa de se resgatar daquela situação em que não quer ser a vítima ou conseguiu perdoar e recomeçar o relacionamento. Amor, medo da perda ou acomodação, não sei. Ou seguiu ambos os caminhos - um de cada vez...

 

Mas apesar de ter saído, de me ter valorizado, de ter encontrado o meu caminho de volta a uma vida que era a que eu tinha antes de o conhecer, não significa que o tenha ultrapassado. Percebi isso ontem. Não que tenha sentimentos por ele. Não. Penso nele já com uma certa condescendência. Porque apesar de adulto, ainda não conseguiu amadurecer. 

A questão que se coloca é que me fechei a novo relacionamento. A desilusão foi tanta, o amachucar foi tão grande que não sei se conseguirei confiar em outro homem. Se conseguirei mostrar a minha fragilidade por detrás desta capa de super-mulher que no dia-a-dia mantenho e por detrás da imagem que foi sendo construída profissionalmente ao longo dos anos. Esse círculo íntimo que devemos deixar aceder, essa brecha na carapaça que devemos abrir para deixar entrar outra pessoa no nosso eu.

 

Portanto tenho de equacionar os seguintes pontos:

Tenho sido feliz sozinha.

Não quero viver junto com ninguém.

Tenho a minha vida e as minhas viagens das quais não prescindirei.

No entanto chegar à velhice sozinha (dizem) pode ser muito solitário.

 

Portanto a questão que se põe, verdadeiramente é: Estou sozinha porque quero ou porque estou a boicotar-me, agarrada a um sentimento de repulsa do passado?  

 

23 comentários

Comentar post