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happyness is everywhere

O Povo português é essencialmente cosmopolita. Nunca um verdadeiro Português foi português: foi sempre tudo. FP

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Família de sangue e de coração

O meu pai nasceu numa aldeia do Alentejo onde todos, de uma forma ou de outra, são primos.

 

Quando era mais miúda, gostava imenso de ir para lá passar férias. As minhas tias-avós ambas viúvas, eram incansáveis e tinham sempre muitas histórias de vida por contar. Na casa da tia onde eu ficava, o colchão era de palha e para fazermos a cama, tínhamos de bater o colchão até ficar fofinho e alto. E ai de quem durante o dia, se encostasse na cama! A cama era para ficar feita, alta e fofa durante todo o dia!! Adorava especialmente o pequeno-almoço, nada de especial, mas sabia-me tão bem aquelas sopas de leite com um cheirinho a café feito na cafeteira ao lume de chão e que depois tinha de ser coado para não ficarem coisas na língua...

 

As minhas duas tias, manas velhas, como se tratam, nasceram no meio de 5 ou 6 irmãos e portanto sempre se protegeram e foram a melhor amiga uma da outra. Bonito de se ver. Iam em novas para a monda, junto com os rapazes, mas cabia-lhes a elas (claro) a responsabilidade do almoço para todos. Mais tarde, eles iam para a mina e elas casavam. Era assim com todos.

 

Mas ainda hoje se recusam a comer pão do padeiro. Fazem elas no forno comunitário, aqueles pães gigantes de 2 ou 3 quilos, que guardam e vão comendo (sem que ganhe bolor ou fique excessivamente duro) durante um par de semanas. Adorava aquele pão nas tais sopas, ou simplesmente com manteiga também ela caseira.

 Foi lá que lavei pela primeira vez roupa no lavadouro comum, que fui à bica buscar um cântaro de água, e que aprendi a andar com uma trouxa na cabeça (o segredo está todo nas ancas). Foi lá que usei a primeira cabine telefónica para telefonar a um namorado que deixara na cidade, cabine esta que estava dentro de uma lojinha, a única da aldeia e que era ao mesmo tempo, mercearia, sapataria, retrosaria, correios, etc, etc, etc... 

 

Mas foi nessa aldeia que aprendi o sentido de família. Porque sendo ou  não família, eles sentem-se como tal. E há sempre um primo afastado que casou com a prima de alguém. São poucas dezenas de pessoas porque entretanto os mais novos já partiram para as cidades mais ou menos próximas. Voltam lá quase todos os fins de semana quando os miúdos são pequenos, mas cada vez mais espaçadamente conforme os garotos vão crescendo e vão eles também, tendo as suas próprias actividades.

 

Apesar de ter vivenciado tudo isso, sou hoje uma pessoa diferente, e a minha familia é a minha família chegada, a nuclear. E a esta adiciono os meus pais, até há pouco tempo a sogra, irmãos e respectivas cunhadas e sobrinhas. Mas depois, em contrasenso, as minhas três melhores amigas, a quem trato de irmãs e que foram também elas, tias do meu filho desde o seu nascimento.

Essa é a minha família do coração, a juntar à de sangue

 

 

 

 

Violência doméstica

Anda uma pessoa (quer dizer um país) a tentar ser conhecido no mundo pela sua gastronomia, pelo clima, pelos títulos de património mundial, pela dívida (), e depois vem a Rússia defender que "não se deve contrariar o sistema de valores de uma sociedade".

 

Pelos vistos, a anterior legislação em que autorizava o marido a uma vez por ano poder exercer violência sobre a esposa, sabia a pouco...

 

É triste! Não consigo dizer mais nada a não ser que é triste!

 

 

 

Fuga com consequências

Quando eu era adolescente, acampávamos em Melides durante as férias grandes. Eram literalmente 3 meses na praia - até ficarmos completamente pretos e termos de andar com quilos de creme no nariz durante todo o dia, porque este pedaço de corpo era seguramente o que mais sofria....

Mas à noite, juntávamos todo o pessoal do nosso grupo e íamos até ao parque de campismo, jogávamos aos matraquilhos (fiquei barra), fazíamos fogueiras na praia ou simplesmente ficávamos por ali a conversar...

Nas noites em que íamos ao parque de campismo, parávamos normalmente numa vinha para comer umas uvas. Uma noite, o dono da vinha estava à nossa espera e correu connosco a tiros de caçadeira. A rir, lá fugimos e fomos a correr até às nossas tendas. E assim passou o resto do verão, praia, água salgada, tempo da digestão, noites e aqui e acolá, um namoradito.

 

E nunca mais voltei a pensar nessa ida às uvas...

Há 2 ou 3 anos, resolvi ir ao médico ver um sinal que tinha na perna e que ao longo dos anos foi crescendo. O médico no hospital examinou a parte de trás da perna, disse que ia fazer uma biopsia e levou o que recolheu "lá para dentro". Quando voltou perguntou se eu nunca tinha levado um tiro de caçadeira. E aí lembrei-me da história! 

 

Então: o médico quando abriu a pele deparou-se com uma cápsula. Retirou-a e levou-a com o colega para ir verificar melhor. Quando abriram as camadas de tecido que ao longo dos anos o organismo criou para se proteger daquele corpo estranho, lá dentro estava nada mais nada menos que uma pedra de sal!! 

E não, não me apercebi porque depois da noite em que isso aconteceu, com os constantes banhos de água salgada e exposição ao sol, a ferida cicatrizou sem que eu me apercebesse dela...  

 

(E lembrei-me desta história há dias quando passou no telejornal aquela senhora que partiu o braço e só aí se percebeu que a limitação no braço que sentia há anos, era um estilhaço de bala alojado)

Chuva...

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(imagem retirada da net)

 

Até posso não gostar do frio, mas o que me desagrada mesmo é a chuva!!

 

O meu avô

Depois de ler este texto, ficou a vontade de falar acerca do meu avô.

 

Conheci os meus dois avôs e nesse sentido fui uma privilegiada.

Mas o meu avô, o avô que me ficou na doce memória da meninice, foi o paterno. Não que o materno não gostasse dos netos, mas devido à sua postura séria (ter sido da Pide justifica apenas parte), nunca criou grandes laços connosco.

Para além disso, eu tinha mais primos do meu lado paterno, e quando vínhamos a Portugal de férias, vínhamos todos

 

O meu avô tinha uma daquelas casas alentejanas sem tecto, com terraço em cima. Um terraço rodeado de um pequeno murete e para o qual se subia com uma escada de madeira a partir das traseiras, no quintal. No verão era recorrente ele agarrar nos cinco netos e subir lá para cima para passarmos a noite.

Adorávamos aquelas aventuras. A noite estrelada, o calor da noite alentejana, e as histórias do Avô Oliveiros. Era um contador de histórias exímio. De qualquer palavra ele inventava uma história. E todas elas metiam zorras, quer fosse no início quer fosse no fim.

Recordo-me de uma em que a zorra tinha sido abandonada à nascença e tinha passado frio e medo. E recordo-me que os meus irmãos mais novos que eu 4 e 5 anos respectivamente, choravam baba e ranho até à zorrinha ter finalmente encontrado a mãe...

 

E quando morreu prematuramente numa cirurgia simples, gravou em nós e para sempre estes momentos únicos no ano, mas que desejávamos ardentemente. 

Hoje, passados cerca de 30 anos, ainda o recordo com muito amor. Vejo o meu pai com um pouco do dom dele, mas sem tanta imaginação. Mas vejo tudo isso no meu filho e sei que um dia mais tarde, ele será com os filhos e netos, o que o avô foi para nós

 

 

Viajar para tomar conta de Pets

 

Há dias li um artigo na net sobre formas de viajar e ficar em casa de pessoas a troco de serviços. Faz todo o sentido se isso não nos incomodar, porque os gastos são mínimos e tem-se normalmente o mesmo tipo de liberdade. Normalmente a única condição é que precisamos de ter disponibilidade para o fazer.

 

Tenho um casal amigo inglês residente aqui no Algarve que foi passar o final de Julho e Agosto aos USA. Estão registados num site que confirma que as pessoas são "boas pessoas", não criminosas ou duvidosas (é normal que se tenha de fornecer algum tipo de atestado). Escolhido o destino e a casa, fazem uma ou duas entrevistas via skype com os donos da casa e definem as regras. No caso deste casal, os donos da casa iam passar um mês e meio a África e precisavam de alguém que lhes tomasse conta da casa e do cão que ficaria lá. A casa era isolada, numa espécie de quinta e poderiam usar o carro durante a estadia. Quando chegaram, tudo conferia. Casa, cão, carro, e ainda o frigorífico cheio de coisas frescas para que não tivessem de ir às compras tão cedo. Gentileza dos donos da casa.

 

Eles aproveitaram para conhecer toda a região, chegaram a dormir fora (não sei como foi a logística  por causa do cão) e vieram para casa encantados com a viagem, com a experiência. Quando nos contaram, todos nós tomámos nota mental para ser uma coisa a fazer quando estivéssemos reformados.

Segundo eles, há imensos sites com alternativas, seja para tomar conta de casa, animais, trabalho voluntário, etc...  

 

Uma boa ideia, não?

 

METADE - que poema!

 

(Devem conhecer pelo menos algumas partes)


Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio;
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca; 
Porque metade de mim é o que eu grito,
Mas a outra metade é silêncio...

Que a música que eu ouço ao longe
Seja linda, ainda que tristeza;
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada 
Mesmo que distante;
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade...

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece
E nem repetidas com fervor,
Apenas respeitadas como a única coisa que resta 
A um homem inundado de sentimentos;
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo...

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço;
E que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada;
Porque metade de mim é o que penso 
Mas a outra metade é um vulcão...

Que o medo da solidão se afaste
E que o convívio comigo mesmo
Se torne ao menos suportável;
Que o espelho reflita em meu rosto
Um doce sorriso que me lembro ter dado na infância;
Porque metade de mim é a lembrança do que fui,
A outra metade eu não sei...

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria 
para me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais;
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço...

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade para faze-la florescer;
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção...

E que a minha loucura seja perdoada 
Porque metade de mim é amor
E a outra metade... também.

(Oswaldo Montenegro)

 

Filhotices #4

Vocês sabem que eu já fui em tempos, a Deusa dos Semáforos?

 

Pois é, sempre gostei de brincar com o meu filho e então um dia saiu-me que os semáforos eram comandados por mim. Quando estávamos num e o meu filho insistia que ele mudasse para verde, eu do alto da minha 'generosidade' dizia:

- Mas não, os outros carros também precisam de passar e nós não estamos atrasados!

E então quando o semáforo para os peões ou para os outros carros ficava vermelho, eu dizia que estava quase, e depois dava uma sopradela e... voilá!! verde para nós...

 

Esta é uma história de família com que nos divertimos até porque ele acreditou neste meu reino até aos 8 ou 9 anos! Ainda hoje nos rimos da sua ingenuidade... e ele também se ri (felizmente, estava na fila quando o humor foi distribuído)

 

Portanto, quando precisarem de alguma ajuda neste campo, não hesitem! Ainda tenho alguns contactos 

 

Filhotices #3

FIS+Ski+Jumping+World+Cup+Innsbruck+Day+2+4A2MeQuA

 O meu filho nasceu no país errado!

 

Quando era pequeno, não queria ser bombeiro, nem médico, nem varredor de rua...

 

Queria ser profissional de Skijumping!!!

 

Escrever à mão

Tendo sido ontem o dia da escrita à mão, não posso deixar de falar um pouco sobre o assunto que me diz tanto. 

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Em França na escola primária, a caligrafia era muito importante e tínhamos aulas só para esse fim. 

As folhas usadas e que ainda hoje uso pois cada vez que vou a França compro blocos de folhas, são estas. Para letra minúscula usávamos duas linhas e para as letras minúsculas altas tal com l, t, f, b, etc... íamos até à terceira linha. As maiúsculas, essas, ocupavam todo o espaço em altura entre as linhas mais grossas.

Essa formação foi muito importante para mim.

 

Durante anos correspondi-me com amigos que estavam longe ou com colegas de escola nas férias grandes. Ainda hoje guardo os molhos de cartas recebidas envoltas numa fita de seda.

Quando era estudante, se não escrevesse a matéria que estava a estudar, a matéria não ficava gravada na memória. E portanto para cada teste, eram páginas e páginas manuscritas. Até os meus momentos de iniciação em poesia só aconteciam em papel. Os diários, quem não teve um diário escrito quando miúda?

Tinha inclusive nalgumas palavras mais usadas, símbolos ou letras que substituíam a palavra. 

 

E hoje?

Apesar de já não escrever cartas à mão, para isso usam-se os emails/mensagens cada vez mais, continuo a escrever todos os dias, já que o livro de notas no trabalho ou a agenda pessoal são físicas. 

O meu filho, que nunca gostou muito de escrever, porque já pertence a outra geração, quando foi para a faculdade teve de desenvolver a caligrafia. Se na secundária há livros e fichas e fotocópias que a professora dava, na faculdade teve de começar a tomar notas rapidamente e essa era a única solução...

 

Mas quando queremos personalizar uma etiqueta, um postal de aniversário, não o pomos na impressora, escrevemos à mão, certo? E isso diz muito....