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happyness is everywhere

O Povo português é essencialmente cosmopolita. Nunca um verdadeiro Português foi português: foi sempre tudo. FP

happyness is everywhere

Fotos das minhas viagens # 31

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Ilhota ao largo de Santorini, Grécia

(foto da minha autoria)

 

Este post custou a ver a luz do dia

Tenho andado a alinhavar este post, e tem-me custado muito porque é um assunto em que vou desdobrando as pregas e as feridas conforme avanço. Por coincidência ontem, todas as notícias falavam da Apav, e do número de vítimas mulheres, homens, crianças e idosos, o que levou a que me decidisse acaba-lo...

 

A minha vida começou no dia em que aos 15 anos, saí de casa dos meus pais para ir estudar na cidade grande.

Ser filha de um pai que vivia para o trabalho e para os copos, chegava a casa sempre zangado com o mundo, se ausentava semanas seguidas e quando voltava, a violência doméstica acontecia dia-sim-dia-sim, fez com que as minhas idas a casa ao fim de semana fossem sempre um castigo. Mas eu dependia financeiramente dele e convenhamos, tinha 15 anos...

Quando me afastei mais fisicamente e fui estudar para uma cidade ainda maior - Lisboa, as visitas passaram a quinzenais até que comecei a trabalhar e a estudar ao mesmo tempo e deixei de ir a casa. Quando escrevi lá em cima que ia descobrindo novas peles conforme fui escrevendo, é isso mesmo, nunca tinha pensado nisso, mas o facto de eu ter saído daquele círculo, pode ter sido visto como abandono pelo resto da minha família, por aqueles que ficaram reféns, mas eu não tinha mesmo estômago para aquilo...

 Lembro-me que quando ouvíamos o carro do pai chegar, todos nós, fosse o que fosse que estivéssemos a fazer, todos nos recolhíamos aos nossos quartos, porque não sabíamos como ele vinha... Isto dá-vos uma ideia da coisa...

 

Quando chegou a minha vez de me tornar adulta e começar a pensar em relacionamentos sérios, sabia o que não queria na minha vida. E tratei de escolher bem as pessoas com quem saía. Talvez por sorte, nunca me cruzei com nenhum homem que pensasse sequer ir por esse caminho. Mas eu também já tinha conquistado uma armadura e penso que os homens sentem isso. As mulheres que não permitiriam tal coisa. Não estou a dizer que a culpa é das mulheres, longe de mim!! Mas é como as crianças: elas sabem até onde podem ir connosco. E quando o interior deles é assim mau, eles sabem reconhecer quem ainda não ganhou essa armadura.

E as mulheres nessa situação vão ganhando peles, umas em cima das outras, até que essas camadas se transformam em coragem e elas dizem basta

 

Para além da história da minha mãe, que eu vivi de perto, posso contar uma das histórias mais marcantes de quando vivia em Lisboa.

Trabalhava numa clínica de fisioterapia que tinha acordo com a cadeia prisional de Tires. Caso não saibam, essa prisão é exclusivamente de mulheres e estas podem ter com elas, até uma determinada idade, os filhos bebés. Existe uma creche dentro da cadeia para que as crianças fiquem durante o dia enquanto as mães trabalham. Por vezes, eu ia fazer cinesiterapa respiratória os miúdos na creche e aí o contacto era restrito. Mas quando eles estavam piores, tinha de me dirigir ao edifício das celas, esperava pela mãe e filho na cantina e era aí que fazia a terapia. Após quase duas semanas a tratar aquele bebé, um dia não me contive e perguntei àquela jovem mãe porque motivo estava ali. E ela contou-me.

Disse que o marido todos os dias ia para a tasca e todos os dias quando chegava a casa, lhe batia até que um deles desmaiasse. Ele da bebedeira ou ela das dores. E ela grávida.

Então um dia, ela pensou: ontem foi o último dia que me bateste, fdp*! Quando terminou as tarefas no quintal, levou a enxada para dentro de casa para se defender com ela. E quando ele chegou, levantou-lhe a mão mas ela defendeu-se e acabou por o matar, tal eram a raiva e a frustração acumuladas.

Acabou acusada de homicídio por ter levado a enxada para dentro de casa - premeditação. Se tivesse utilizado uma cadeira, uma frigideira, etc., poderia ter alegado defesa pessoal. Assim, apanhou uma carrada de anos, o filho nasceu na cadeia, quando atingiu a idade, saiu da cadeia e só voltou a ver a mãe quando ela própria terminou o seu tempo. Já terá saído por esta altura. Mas assim se destrói uma vida... 

 

A vida da minha mãe, apesar de não ter este grau de dramatismo, acabou por não ser fácil. De uma época em que os maridos são para sempre, à dependência económica, aos filhos, vários foram os motivos ao longo das décadas. Hoje vivem juntos ainda, prestes a festejarem 50 anos de casamento. ele bem mais calmo, ela amargurada com a vida que não teve. Triste.

 

Primavera por entre os raios de chuva

Apesar deste mau tempo, as árvores da minha cidade já estão a florir...

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Mais um bocadinho

Quem é que ontem se descontrolou com a luz do dia e ficou mais 40 minutos no  trabalho?

 

Eu!! 

Post 300

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Quando ontem à noite por acaso passei os olhos pela estatística, apercebi-me do número de posts já publicados. Não pensei sinceramente atingir este número tão cedo. Mas a ânsia de escrever era tanta que tenho dado asas à imaginação. E que bem me tem feito... Ganhei de novo o vício e o gosto pela escrita. Claro que escrever aqui é diferente de escrever nos diários da minha juventude, ou os poemas das folhas soltas que se acumulam aqui por casa.

Como escrevi ontem, aqui temos uma pequena comunidade a ler-nos e a decifrar-nos. estabelecemos sintonias com pessoas que nem conhecemos, apenas pelas suas palavras, pelas emoções que despertam.

A todos e todas vocês, obrigada por me terem acolhido neste cantinho! 

 

Obrigada Sapo - destaque IV

A sério, Sapo?

Escrevo textos todos os dias. Normalmente, mais do que um por dia, uns mais simples, outros com mais de mim.

 

E o destaque vai logo para aquele texto que poderia dar polémica e da grossa? O único post que poderia resultar em ter de colocar polícia à porta para minha protecção?

 

De manhã quando vi o destaque, francamente achei que seria atacada de todos os lados. Eu que escrevi o post para a minha "pequena comunidade", vi-me de repente primeiro nos destaques dos blogs e mais tarde no destaque da página sapo. Receei pelos comentários que aí viriam, mas quem me leu identificou-se comigo, escreveu comentários simpáticos ou por outro lado, nem se deu ao trabalho de comentar ou ainda... nem se deu ao trabalho de ler por ser um post longo...

 

De qualquer maneira, obrigada à Sapo pelo destaque, e obrigada a quem me lê por ser fiel e voltar, dia após dia! 

 

É só impressão minha...

Ou o Trump, se pudesse, já teria atirado a frase:

 

- Pronto, não jogo mais! Se as coisas não podem ser decididas à minha maneira, não jogo mais!

 

Local de trabalho

No outro dia postei sobre o o meu ambiente de trabalho no pc.

 

Em 2016, tive uma reunião no escritório e a pessoa que me visitou disse-me no final da reunião: "não sei como consegue trabalhar assim". A minha resposta foi a defesa: Tenho sempre tanta coisa a tratar, que se acumula imenso papel.

Mas foi o clic de que precisava.

Resolvi tratar da minha mesa de trabalho. Apesar de saber sempre onde estavam os documentos, a minha mesa era um bocado caótica.

Portanto, adoptei uma planta, dispus o monitor e as pastas de outra forma e fiquei com uma mesa muito mais organizada. Continua a ser muito papel e muitos pendentes, mas a mesa tem agora uma ar organizado. E isso dá-nos bem-estar e transmite às outras pessoas uma sensação de controlo.

 

Outra medida que adoptei é nunca sair no final do dia, sem deixar a mesa arrumada, papéis em pilha e canetas no separador. Poderá não ter interferência, mas o ânimo quando nos sentamos numa mesa arrumada no dia seguinte, é completamente diferente.

Ora atentem nas seguintes imagens (ambas retiradas da net), e digam em qual delas têm mais vontade de sentar e começar a trabalhar?

Sem Título (2).png

Sem dúvidas, certo? Então bora dar uma arrumadinha todos os dias? São 5 minutos por dia e ao fim de uns dias terão um local de trabalho mais aprazível!

 

Ó Sr. Árbitro

Não conhecia a rubrica do Jornal da Noite da Sic. Falaram-me dela a semana passada. Vi ontem.

 

O Duarte Gomes introduz números: em 2016 houve 32 agressões a árbitros, sendo que 8 destes tinham menos de 18 anos de idade! Mas que raio???? O que leva um pai a ir ver os jogos do filho e acabar a agredir o árbitro, menor de idade? Não entendo... A sério que não entendo os valores que alguns pais transmitem aos seus filhos. A falta de respeito que vai sendo transmitida geração a geração.

O meu filho jogou andebol até ir para a faculdade. Se eu ia aos jogos dele? Inicialmente sim, Achava que os pais iam ver jogos e sendo idades formativas, não sentiam ódio dos outros miúdos, das outras equipas. Mas sentem.... Tudo o que retire a vitória aos seus devia ser exterminado.... Eu batia palmas às duas equipas quando a jogada era bem executada. Comecei a ser vista como allien (ou talvez julgassem que eu não estava a perceber de que lado estava a bola ). E as ofensas ao árbitro? Eram outros miúdos da mesma idade. Deixei de ir. Deixei de ir depois de falar com o meu filho e lhe explicar as razões...

 

O meu filho, quando tinha 15 anos chegou a ser árbitro de andebol. Na maior parte das modalidades, cada clube tem de ter um jogador que faça o curso. Na equipa do meu filho, ele foi o escolhido. Se gostou? Não porque realmente ele é a pessoa a abater em campo. E essas atitudes, nos escalões formativos escalam e tornam-se aquilo que vemos nas notícias na primeira liga. Ou nas outras ligas todas, nas outras modalidades todas, as menos mediáticas. Por isso eu até nem acho que tenhamos ou melhor, sejamos um povo de  brandos costumes. Só naquilo que interessa, porque no que toca a desporto, viramos bichos. Literalmente.

 

Mas agora o verdadeiro motivo deste post. O que faz uma pessoa levantar-se às 6h00 de um domingo para ir arbitrar um evento? Para muitas vezes passar por ser o mau da fita, para ser criticado/insultado? O gosto pela modalidade em primeiro lugar e vivê-lo de um outro ângulo. O gosto em melhorar as tuas capacidades e eventualmente chegar a  um patamar internacional. Mas pelo caminho está muito trabalho. Muito trabalho. Trabalhar a questão técnica, mas também a questão mental, fundamental para prosseguir quando as críticas chegarem. porque chegarão sem dúvidas, já que só há um vencedor e todo um outro lado vencido que criticará.

Somos os representantes do Fair Play, um dos estandartes que tratam de aplicar os regulamentos e evitar as descriminações e as injustiças da modalidade, em defender a verdade desportiva. Se por vezes há erros? Claro que sim, mas ultrapassar esses erros também faz parte do nosso crescimento e evolução. 

Não é de todo o interesse económico, porque aqueles que não têm outra motivação, não ficam muito tempo.... Não há dinheiro que pague os sacrifícios que se fazem e a que a família é sujeita.