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happyness is everywhere

O Povo português é essencialmente cosmopolita. Nunca um verdadeiro Português foi português: foi sempre tudo. FP

happyness is everywhere

Desafio da escrita - dia 16: Escritório

A minha formação é na área da saúde. Sempre trabalhei nela.

Quando o meu marido morreu, tive de me reinventar, deslocar, esgravatar e mudar de vida.

E foi quando comecei a trabalhar neste escritório onde estou hoje vai para 20 anos.

Se gosto? Sim, gosto de mexer em papel. Se preferia estar a fazer outra coisa? Nem penso nisso. A vida dá muitas voltas e por vezes temos de rodopiar no mesmo ritmo e tentar aproveitar a viagem.

 

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Por isso escolhi esta imagem. Porque quando precisamos de nos reinventar, recorremos a imagens de que gostamos, como se se tratasse de um local seguro.  

Estamos a ficar na cauda

O salário mínimo voltou a aumentar em Espanha e fica estacionado ali nos 900€. Para quem não sabe, o nosso está nos 580€

Ora eu estive em Espanha duas vezes este ano e não achei os preços muito diferentes dos nossos. Nalguns casos, as diferenças até eram para baixo. O que significa que temos um poder de compra muito baixo, com tendência a baixar ainda mais.

 

Ora no ano 2000, a diferença entre os ordenados mínimos dos países vizinhos era bem menos acentuada. Nomeadamente 495 para Espanha contra 371 para Portugal.

 

E pronto, era só esta ideia que vos queria deixar... Nem me vou alongar... 

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Desafio da escrita - dia 10: Morte

A minha sobrinha nasceu com cancro, que só lhe foi diagnosticado com quase 2 anos. 

As febres eram frequentes, mas claro que os médicos pensavam e medicavam para uma infinidade de outras doenças mais normais. Só com quase dois anos foi fazer um exame que foi inequívoco. Fez quimio, fez transplante da medula, depois auto-transplante da medula, enfim. Toda a sua vida foi no IPO. Passava temporadas em Lisboa, voltava para casa outras alturas, sempre com mil cuidados quando estava por cá.

As crianças são fascinantes na doença. São directas, puras e aceitam. Acho que esse é o factor que mais admirei. A aceitação da doença.

Eu era a tia cool. A tia que a levava a jantar lá em casa, que lhe fazia panquecas de banana, que ia ao cinema, que pelo facto de ter um filho da sua idade, lhe proporcionava uma vida mais próxima da normalidade.

 

Quando veio para casa para "descansar", quis ser baptizada. Tinha 11 anos. Foi vestida como se de uma princesa se tratasse. Teve lá todas as pessoas importantes na sua vida.

 

Continuava a passar muitos momentos comigo e com o meu filhote. Eu tinha já nessa altura duas cadeiras no meu carro. Um dia fomos tratar dos cães dos meus pais. 20 km de viagem para cada lado. Cantávamos as músicas que ela escolhia. Jogávamos os jogos durante as viagens, que ela escolhia. Nesse dia, a conduzir, vínhamos a rir e numa escalada de maluqueira. Era verão. O meu filho trazia sandálias calçadas. Coloquei a mão para trás do assento, junto à cadeira dele e arranquei-lhe uma sandália. Reduzi substancialmente a velocidade do carro e passei para a berma que era larga. Abri a janela do pendura e joguei a sandália para a estrada. Claro que fixei o local onde a sandália caiu e fui depois lá busca-la. Mas a miúda achou tanta piada que até dobrava o riso. 

 

E hoje quando penso nela é esse momento do riso dobrado que recordo e oiço. O meu anjo, que partiu depois de tanto sofrimento...

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Desafio da escrita - dia 15: Vida

A vida sempre foram direcções, caminhos, escolhas.

Algumas são simples e automáticas. outras impedem-nos de dormir à noite.

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Para mim, as escolhas sempre foram fáceis. Por vezes, fortuitas. Se hesitava, muitas vezes de manhã tinha a resposta. Sempre vi a almofada como a minha melhor conselheira. Bem sei que a decisão é minha, porque mesmo a dormir o meu subconsciente trabalhava a questão.

 

Nem todas as vidas são assim simples e por ter essa consciência, sou grata pela minha estrelinha.  

5 coisas boas (+ fotografia da semana) #41

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Segunda, 8

Fomos a um restaurante jantar para contar as novidades dos últimos dias. Restaurante simpático, inglês, onde comemos e bebemos muito bem. O único senão: Apenas um dos funcionários falava português. Mas vendo bem, nós éramos a única mesa de Portugueses...

 

Terça, 9

Tinha a certeza de que o meu visto para o Canadá ainda estaria activo. O problema foi que não o consegui encontrar. Tive de pedir outro. Enganei-me na categoria (coloquei Business em vez de Touriste) e acabei por pagar 60 em vez de 7...

 

Quarta, 10

Dia unhas. Já estava cansada da manicure francesa que tinha feito e portanto fui à procura de um tom mais forte.

Rosa fúscia escuro foi o escolhido. Muito bonito!

 

 

Quinta, 11

Andei a pesquisar espectáculos para o mês de Outubro/Novembro. Sinceramente, procurava saber onde seriam os espectáculos do António Fagundes. Mas a peça vai andar pelo Norte e vai descendo até chegar a Lisboa. Ponto.  Nessa procura, acabei por encontrar duas peças de teatro que vêm ao Algarve. A Faro e a Portimão. Comprei bilhetes com uns amigos e fiquei entusiasmada. Adoro teatro!

 

Sexta, 12

Trabalhei de manhã, mas tive a tarde livre. Há tanto tempo que não aproveitava assim uma tarde em dia útil. Foi tão bom!

 

Fotografia da Semana # 41

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 Primeira foto dos 3 juntos. Tem sido tão fácil esta adaptação...

Desafio da escrita - dia 9: Branco

(conto atrasado - dia 9)

 

Melides. Agosto. Marés vivas.

 

Sempre gostaram do mar agitado. Pelas histórias que o pai contara toda a sua vida. Era um contador de histórias. Como todos os avôs devem ser um dia.

Era também um sobrevivente e quis ensinar isso aos filhos. Nos momentos de mar mais revolto, empurrava os filhos para dentro de água e mandava que ficassem lá por uma hora. Explicava que é preciso nadar o suficiente para procurar o local onde a onda está mais calma. Em que basta subir a onda. Ou, não sendo possível, como se enrolar como um bicho de conta e deslizar até ao fundo do mar, à espera que a onda passe. 

Essa foi uma grande lição de vida. Porque com isso os filhos aprenderam que há batalhas em que vale a pena ir à luta, mas há outras que mais vale contornar e esperar que passe. Escolher e não desgastar.

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Mas a luta era sempre sair daquele mar. Porque as ondas explodiam numa revolução de espuma branca. Segunda lição: Nem sempre a aparência corresponde à verdade.

 

Porque essa espuma branca, apesar de parecer leve, era sempre a parte mais difícil. 

Assim nasce uma Estrela - O filme

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Ontem fui ao cinema. Estava em dúvida entre dois filmes, mas depois de termos visto uma entrevista a Bradley Cooper no Tonight Show with Jimmy Fallon, a escolha foi óbvia. Ainda para mais, tendo o filme sido realizado pelo próprio BC!!

 

O remake do filme de 1937 é a história de Jackson Maine, um músico famoso que descobre e se apaixona por Ally, uma aspirante a artista que já desistira de realizar o sonho de ser cantora. A carreira de Ally floresce enquanto a de Jackson se deteriora em parte devido aos vícios. Uma luta em que ambos se vão ajudar mesmo que do lado do Jackson, demasiados fantasmas do passado o assombrem. Uma história de amor que mostra o que de melhor pode acontecer às pessoas quando a outra pessoa as ajuda a encontrar a sua voz.

 

O filme é comprido (2h14) mas ainda assim, a história é contada sem momentos mortos. Ri, emocionei-me e chorei. Sim, tudo isso. Talvez um dos melhores que vi este ano!! Amei, amei! Amei o filme. Sente-se a química entre eles e enquanto filme, é isso que queremos, que o filme nos convença. Muito, muito bom!

 

Deixo-vos um clip de uma música cantada pelos protagonistas num dos dois concertos reais, onde eles ocuparam o palco emprestado durante cerca de 5 minutos, para gravar essas partes. A minha parte favorita é no entanto a parte final do filme, em que chorei copiosamente. Fenomenal!!

 

Desafio da escrita - dia 8: Fruta

(aproveitando o facto de hoje ser dia de folga, aproveito para pôr em dia os contos atrasados - dia 8)

 

Tinha ido à Turquia com o intuito de conhecer novas culturas.

 

Visitou igrejas, catedrais, monumentos. Viu o azul hipnotizante da igreja otomana. Cobriu os ombros, vestiu mantos, inclinou-se respeitosamente. Tudo para honrar os locais. Atravessou a ponte a apanhou o barco para atravessar o Bósforo. Visitou pequenas terreolas do lado asiático. Foi a espectáculos de dança de Derviches e do ventre. Descobriu que a dança do ventre também pode ser realizada por uma pessoa do sexo masculino, coisa que até então nunca lhe assomara o pensamento. Viajou e perdeu-se em autocarros não fazendo ideia se estava a viajar para sul ou para norte. Andou sob a neve. 

 

Mas de tudo o que viu, sentiu e provou, nada bateria os sumos de fruta que descobriu. Os sumos de cereja e de romã por todo o lado. As frutas que mais gostava e que no seu país apenas se comiam frescas ou esporadicamente em iogurte.

Era isso que gostava nas viagens. Descobrir sabores antigos sob outro ângulo.

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Desafio da escrita - dia 7: Gato

(aproveitando o facto de hoje ser dia de folga, vou aproveitar para pôr em dia os contos atrasados - dia 7)

 

Não percebi o que se estava a passar. Num instante estava com a minha mamã, quentinho, de barriga cheia e a receber amor, e no outro fui despejado junto a um contentor do lixo em Quarteira.

Nem sabia que tal era possível. Que nunca mais veria a minha mãe e que ficaria ali, pronto a morrer ou a ser resgatado por gatos vadios da zona. 

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Estive por ali uns tempos intermináveis, até que um casal me viu. Eu fiquei cheio de medo. Mais pessoas. E eu já aprendera que não se podia confiar nelas... Agarraram em mim e levaram-me para casa delas. Bem, para o quintal delas. Fiquei por lá a espreitar para dentro de casa, sempre ansioso por umas festinhas, por um quentinho.

 

Passados mais uns tempos intermináveis, lá me levaram embrulhado numa camisola. Fiquei nervoso de novo. A minha vida não correra muito bem até ali... 

Passei de umas mãos para outras. Fui toda a viagem num colo quentinho, a receber festinhas e a falarem comigo. Estes humanos restauraram a confiança que eu tinha perdido.

 

Hoje? Sou um gatarrão branco e preto que manda nesta casa. Afinal sou o único gato macho desta casa!! E mesmo quando faço malandrices - e faço muitas - eles continuam a gostar de mim.

Isso deve ser amor, digo eu...  

Desafio da escrita - dia 13: Avião

Havia para cima de 50 nos que não fazia um avião.

Ensinou aos filhos que a imaginação podia ter asas de papel. Na brisa que acariciava os ângulos da folha de papel e levava o sonho de manter o avião no ar por mais e mais tempo.

 

Os miúdos gostavam de competir entre eles.

Competiram tanto que a distância lhos levou. Cada um a tentar ter mais sucesso que o outro, nas mais diversas áreas e em pontos geográficos que só permitiam ajuntamentos familiares nas grandes festas.

Com isso, não chegara a fazer aviões para os netos. Ou eram muito pequenos ou, depois de algumas faltas, eram já crescidos demais e os interesses concentrados naqueles aparelhos que nunca estavam muito longe.

 

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Depois, vieram as viagens de finalistas, as faculdades, os namoros e todas aquelas previsibilidades (ou seriam imprevisibilidades?) que marcavam os afastamentos e os novos interesses.

 

Agora, voltara a fazer aviões de papel. Porque a sua doença era degenerativa e a terapeuta ocupacional insistia que os trabalhos manuais eram fundamentais para que a amplitude se mantivesse. Fazer aviões poderia afinal facilitar a mobilização articular das suas mãos.

Aquelas mãos que tantos anos antes tinham ajudado a criar sonhos...