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happyness is everywhere

O Povo português é essencialmente cosmopolita. Nunca um verdadeiro Português foi português: foi sempre tudo. FP

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A origem do gelo

E cá estou eu mais uma vez a distribuir sabedoria... Quando leio alguma coisa interessante, começo a partilhar com os amigos e vocês desse lado também são bafejados com a minha sapiência recém-adquirida. 

 

Vou começar pelo fim: sabiam que o Martinho da Arcada em Lisboa foi originalmente em 1778, uma casa de bebidas com gelo chamada Casa da Neve? E como havia gelo se ainda não havia frigoríficos? Então vamos lá ao que interessa...

 

Em 1775, Lisboa organizou a maior festa de sempre onde a estátua de D.José I no Terreiro do Paço foi inaugurada. Foi D. José I em conjunto com o Marquês de Pombal, quem reergueu a cidade, depois do terramoto 20 anos antes. 

E entre as coisas que se comeram (194 frangos, 291 frangas, 28 leitoas, 459 galinhas, 230 côcos, 624 arrobas de neve, 170 perus, 26 peruas, 312 pombos, 5 barris azeitonas, etc), estava como certamente se aperceberam, 624 arrobas de neve!!! ou seja 9360 quilos! Como??

Porque para os habitantes de Lisboa, a neve não era novidade. Já em 1612 (!), uma peça de teatro em Espanha falava da neve da Serra da Estrela que se vendia pelas ruas de Lisboa. Bom, não se tratava de neve, claro, mas antes cubos de gelo e muito daquilo que consumimos hoje, granizado.

 

Chamava-se neve porque meses antes, tinha sido neve. Os neveiros (profissão oficial desde 1619) recolhiam a neve, armazenavam-a em poços fundos, calcavam-a com blocos de madeira até ficar gelo. Na primavera, este gelo era cortado em blocos e no verão viajava para Lisboa... 

Com a criação de um neveiro exclusivo para a Corte Real em 1717, a maior parte do gelo ia para o palácio, sobrando pouco para a população em geral, e elevando naturalmente o preço por se tratar já de um artigo de luxo.

Sim, o povo desde sempre foi o segundo plano do panorama...

Na Graça, Terreiro do Paço e Rua Capelo, havia poços para armazenar o gelo. Chegou a começar-se a construção de um poço no Castelo de S. Jorge, no vão de uma das torres.

 

E como vinham os blocos de gelo desde a Serra? Antes de mais, o Rei concedeu privilégios no transporte do gelo, para que os almocreves (quem transportava o gelo)  tivessem a vida facilitada: quem se cruzasse no Rio Zêzere com os almocreves, ainda que fossem autoridade, tinham que dar passagem, desviando os barcos, facilitando na utilização de animais que ajudavam à celeridade da tarefa.

 

Parece impressionante como é que saíam de lá com 360 kg de gelo e não chegavam a Lisboa apenas com água, não é?

O Homem sempre foi ao longo da História, muito engenhoso e pro-activo!

 

 

Ficaram a saber um pouco mais? Uma boa história para contar agora aos vossos amigos, quando estiverem a beber uma cerveja geladinha   ou um gelado na esplanada! 

 

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