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happyness is everywhere

O Povo português é essencialmente cosmopolita. Nunca um verdadeiro Português foi português: foi sempre tudo. FP

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Desafio da escrita - dia 6: Cinema

Era no cinema que a minha vida ganhava cor.

Vibrava com aquelas representações, o guarda-roupa, os efeitos. Até nos filmes mudos eu via encanto. Aquela magia de levar uma história diferente a cada pessoa. Poder fazê-la sonhar. E se eu sonhava...

 

A minha vida sempre foi plana, sem sequer aquela ondulação típica aqui do Alentejo. Nada de rico ou surpreendente acontecia. Um trabalho monótono, uma existência sonsa. Nem eu quisera de outra forma, já que me subestimava constantemente.

Aquela rapariga ali? eu nunca chegaria aos pés dela!

Aquele casal? eu nunca seria parte de um casal. Quem olharia para mim?

 

Por isso era vital para mim aquelas sessões de cinema onde eu vivia tantas personagens, tantas histórias diversas. Tal como nos livros, eu entregava-me de coração escancarado.

 

Até que um dia olhei ao meu redor. Sempre as mesmas caras. Caras familiares que eu via uma e outra vez. Rapazes tímidos e raparigas introvertidas. E revi-me naquelas pessoas todas. 

À noite em casa, não conseguia deixar de percorrer aqueles rostos cuja paixão pelo cinema deixavam adivinhar uma alma algo colorida. Peguei em papel. Fiz uns rabiscos. Passei para computador e na semana seguinte, espalhei os folhetos nos bancos durante a sessão de cinema.

 

Hoje sei que o ponto de viragem na minha vida foi aquele momento em que reparei nos que me rodeavam fora da tela. E em que descobri que aquele elo podia ser a nossa salvação. Vejo aqueles corpos todos no meu palco a declamar Pessoa, a interpretar Molière e sei que consegui criar algo que apesar de amador, nos dá alento para o dia seguinte.

As minhas filhas deambulam por aí, habituadas que estão já ao faz-de-conta e à magia que duas vezes por semana, acrescentamos às nossas vidas.

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