Eu também fui filhota
Sempre fui muito irrequieta e muito traquinas. Com boas intenções, mas traquinas.
Quando vivia em França, no meu bairro havia uma mercearia. E o meu pai, como filha mais velha, era a mim que pedia para ir comprar pão. Comprar pão em França significa comprar baguette. E traz-se na mão, quanto muito com um papel à volta na zona onde se agarra. Eu dispensava o papel. Até porque tinha outros planos...
E lá vinha eu a saltitar e a cantarolar de volta para casa.
Sempre gostei de miolo. O meu pai sempre gostou da côdea.
E portanto eu, que era filhinha do papá, achava que o estava a mimar.
Pelo caminho eu comia o miolo todo e como? abria uma das pontas da baguette e ia retirando e comendo o miolo, à medida que ia "escavando" a baguette. O braço era fininho e entrava bem baguette dentro...
E chegava a casa, invariavelmente de braço enfiado dentro da baguette, como se fosse uma tala.

Só o meu pai achava piada...
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